“Lembranças do famoso tele catch” (José Domingos)

Domingos

Navengando na internet encontrei a um tempo atrás esse brilhante texto no blog do jornalista José Domingos, onde ele recorda com grande propriedade os tempos do tele catch no Paraná, no canal 12.

O texto é longo e minuscioso em seus detalhes e narra de uma forma que somente um profissional do meio da comunicação tem mesmo a excelência para fazê-lo. Vale á pena conferir e aprender um pouco mais sobre aquela época.

Confira o texto:

“Encontro o Rogério Taborda, no Bar Figura, rua Valdemar Kost, Hauer e no bate papo a beira do balcão de entrada, ele se identificou como sendo meu ouvinte de muitos anos. A conversa gira em torno de rádio e chega a televisão e neste momento ele lembra do tele-catch, dizendo que acompanhava o programa desde os tempos em que era apresentado na rua Emiliano Perneta, centro, onde funcionou durante anos a emissora do Dr. Nagibe Chede, depois negociada com a Gazeta do Povo.

Pouco depois desta transação o Canal 12, foi para o Castelo do Batel e lá construiu um pavilhão e dentro deste, arquibancada pré montada e ringue.

O tele catch foi para lá sendo apresentado nas noites de domingo sempre com a presença de um grande público, que vibrava entusiasticamente. Havia alguns torcedores mais entusiasmados que se dispunham a agredir os lutadores maldosos como Jóia Psicodélico, este era o mais odiado, Metralha, outro que a galera detestava, Aquiles, Falcão, Àtila, também eram lutadores antipáticos ao público, pois faziam papel de ruins.

Bala de Prata, Mister Argentina, Ted Boy Marino, Carlinhos Dorneles, Mister Lenzi, Gladiador, Tigre Paraguaio, Brasão, Big Boy, eram os preferidos, pois eram os lutadores de bom caráter. Big Boy, o nome usado pelo hoje vereador de Curitiba, Roberto Acioli.

Tinha também Fantomas, Verdugo, La Múmia, inclusive o Coronel Xavier, que foi comandante da Polícia Militar, chegou a lutar catch representando La Múmia. Estes usavam roupas diferentes que lhe cobriam todo o corpo, bem como o rosto. Os fãs tornavam certos lutadores como mitos, ídolos e arrumavam “estórias” para eles. O tele catch durante anos foi um grande sucesso do Canal 12, sempre com o pavilhão lotado e grande audiência.

Quando o tele catch estreou no Batel, o radialista Sérgio Fraga, com seus quase dois metros de altura, porte físico avantajado foi contratado para ser o apresentador e Wilson Brustolim, o narrador. Fraga, não se adaptou e resolveu sair. O Jota Jota, João José de Arruda Neto, então diretor artístico do Canal 12, me chamou e pediu que apresentasse o tele-catch até que encontrasse alguém para substituir o Fraga. Na semana seguinte repetiu o pedido porque não havia encontrado o apresentador com perfil para anunciar os lutadores. Após o segundo programa o Jota, me chamou novamente e perguntou se gostaria de ficar no tele catch e respondi afirmativamente. Disse que estava fechado e pediu que passasse pelo Departamento de Pessoal, para acertar os valores, já que teria mais um salário, já que o que ganhava se referia aos noticiários policiais que apresentava. Fiquei no tele catch por quase onze anos e havia programas em que apresentava os lutadores e narrava. Isto quando o Brustolim, face suas atividades como funcionário do BADEP, estava em viagem. Me identifiquei com o trabalho e muitas vezes era requisitado mediante pagamento de cachês para apresentar lutas em cidades do interior, especialmente em circos e ginásios de esportes. Era recebido como uma das atrações do espetáculo. No interior o sucesso do catch era impressionante e a chegada do espetáculo era uma verdadeira festa na cidade.

Muitas vezes principalmente Jóia e Metralha, de tanto irritar com suas atitudes indisciplinadas saíram escondidos em porta malas ou protegidos por policiais, porque se não fossem tomados cuidados corriam o risco de ser linchados. Era impressionante como as pessoas levavam a sério as lutas.

Os mediadores De Carlo, que em cada luta aparecia com uma roupa diferente, por isto era chamado de o “mediador elegante, o manequim”, Barbosa, o ” bom caráter” e Santini, este sempre ajudava os lutadores “bandidos” e então era também odiado. Ao ser anunciado era sempre vaiado. Quem comandava o grupo era um empresário do Rio Grande do Sul, Carlos Dorneles, pai dos lutadores Carlinhos e Hermes Dorneles. O Hermes, também foi mediador durante bom tempo.

Havia o time de futebol do tele catch e onde ia jogar era recebido com festa e nos jogos os “bandidos” faziam também o seu papel, dando algumas entradas mais violentas, discutindo entre eles, mas tudo para sempre fazer o tipo. Era tudo muito divertido. O José João Boslooper, Zezo, meu compadre, também foi La Múmia e viajou com o pessoal do tele catch por várias cidades. Foi um período sensacional.

O nosso tele catch era apresentado em São Paulo e em determinada ocasião ao chegar na Rodoviária, de lá fiquei impressionado com o pessoal me observando, me olhando, apontando em minha direção, achei aquilo estranho e só fui entender quando uma senhora já de idade avançada chegou com um caderno e uma caneta e me pediu um autografo. Relatou que gostava muito das lutas livres e não perdia um programa. Explicou que as lutas eram também apresentadas no circuito interno de televisão da Rodoviária. Depois de atender a senhora, atendi e conversei com várias outras pessoas e foi assim até quando embarquei para retornar a Curitiba. Apresentei lutas num canal de São Paulo, bem como o sempre lembrado Wilson Brustolim, ia lá narrar. O Brustolim, com sua narração vibrante, criando seguidamente jargões, dava um valor especial as lutas., Muitos dos companheiros de tele catch já nos deixaram como Sérgio Fraga, Wilson Brustolim, Brasão, De Carlo, Barbosa e outros, entre eles o Jota Jota, que na condição de diretor artístico dava apoio especial ao programa.

Pessoas importantes iam assistir as lutas diretamente e outras assistiam pela televisão e ao me encontrarem perguntavam sobre as lutas, seus protagonistas. Se era tudo verdadeira ou era mentira (encenação) e respondi que era tudo real e as pessoas ficavam impressionadas. Dizem que o segredo é a arma do sucesso e assim tinha que manter a expectativa do público. Alguns iam assistir e procuravam se esconder para não aparecer na televisão, imaginando que poderiam ser alvo de brincadeiras com parentes, vizinhos ou amigos. Saudades, muitas saudades do tele catch, inclusive recentemente o Roberto Acioli, hoje vereador e que foi quando jovem o lutador Big Boy, dizia dia destes que devíamos buscar o retorno do tele catch, que certamente ainda hoje teria um público fiel e é possível, pois ainda tem muita gente que lembra do programa, como o Rogério Taborda, que conversou comigo a respeito. É possível que um dia volte o tele catch, de tantos anos de sucesso na nossa televisão. Assim espero

José Domingos Borges Teixeira

(Zé Domingos)”

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Fonte: Blog José Domingos

14 Respostas para “Lembranças do famoso tele catch” (José Domingos)

  1. Flávio Pacheco says:

    Belo Texto….Parabéns!!!

  2. chino rapper says:

    canal 12 de curitiba. muitos lutadores de sp fizeram show la, com mestre davi, laredo , dentre tantos outros

  3. Cigano Stiner says:

    Amigos
    Se um dia o Jose Domingos ler isto aqui no TB espero que aceite meus agradecimentos pelo belo texto que me levou de volta ao passado, pois eu lutei na rua Emiliano Perneta e depois no Castelo do Batel onde fiz tambem o personagem Leopardo, fiz boas lutas com Brasão, Gladiador, Jóia, Carlos Dornelles e a isto cabe salientar um pequeno erro do autor onde escreve ” Quem comandava o grupo era um empresário do Rio Grande do Sul, Carlos Dorneles, pai dos lutadores Carlinhos e Hermes ” apenas talvez um lapso de memória, mas o empresário éra Moacir Dornelles e ai sim pai do Carlinhos e Hermes.
    Mas mesmo assim, que bom ler isto e se este texto não tivesse muito tempo, talvez ai um grande aliado para a BWF colocar seus programas na TV em Curitiba, quem sabe ??
    Fiquem com Deus

  4. Flávio Pacheco says:

    Gostaria de ver mais entrevistas, tipo em uma semana os fãs postam as perguntas no outro a personalidade responde…movimentaria o site, eu, apesar da falta de tempo acesso quase todo dia e me dá nos nervos quando não vejo movimentação nem nos comentários…

    Outra já estamos em dezembro, para mim seria a hora de se votar nas personalidades de nossa luta livre…sei que ficaria um concurso muito BWF, mas é quem vem fazendo algo…

    pra compensar a entrevista poderia ser com o Trovão ou alguém da trupe/abraluli…

    forte abraço a todos!!!

    • Marcos Martins says:

      Flávio, acho que vou te oferecer uma vaga no TB. Estou sempre atualizando, e quando me afasto um pouco devido a outras atividades tu diz que está parado…hehehehe
      É brincadeira, muito bom isso, sinal de que temos leitores assíduos assim como você.
      Desculpo-me com todos por essa semana o TB ter ficado meio parado, mas estava desenvolvendo um site para a empresa de um amigo, usando plataforma de WP mesmo, meio gambiarra (rsss) mas ficou decente até.
      Sobre as suas sugestões, estarei destinando um tempo para executá-las ainda esse mes. Até mesmo o HugoO.z que sempre tras excelentes entrevistas para o site, está no momento em ritmo de provas de final de ano e deve mesmo se dedicar a isso, então o TB anda mesmo meio parado.
      Mas graças ao apoio que todos sempre deram para fazer com que com menos de um ano de vida o TB tenha alcançado níveis excelentes de visitação mensal, temos a responsabilidade de não deixar o trabalho parado demais, e logo estarei podendo me dedicar novamente e trazer novidades.
      Obrigado pelas observações, são sempre muito úteis, pois são o retorno de um trabalho.

      • Flávio Pacheco says:

        eu é que estou devendo uma entrevista com o poderoso Neves para o TB, pode até ser que já esteja em SP de novo e eu nada de entrevistá lo…mas logo eu pegue o material de filmagem eu providenciarei a entrevista…gostaria mesmo de um doc em curta metragem mesmo, falando das experiencias dele como lutador e ator…

        vamo ver o que acontece!!!

        forte abraço!!!

    • Cigano Stiner says:

      Amigo Flávio
      Muito boas suas colocações e então mando duas sugestões:
      1) Vote em mim na personalidade do Ano ;
      2) Vamos fazer este tipo de entrevista começando por mim,ok ?
      Quanta vaidade né ? kkkkkkkkk Mas realmente suas idéias são boas e podemos sim abrir este tipo de entrevista comigo, os internautas podem perguntar o que desejar, até sobre aprendizado sei la, já que todos estam sem tempo eu posso responde dia a dia.O que vc acha ??
      Fique com Deus

      • Flávio Pacheco says:

        Primeira pergunta:

        Stiner, já se passou um mês do desafio com o “Quebra Ossos“ e você nada de subir ao ringue, o seu adversário disse que a qualquer dia poderia lutar com você, e você pediu um mês…quem está fugindo da luta???

        forte abraço!!!

        • Cigano Stiner says:

          Amigo Flávio
          Viu? Sua idéia esta no TB, muito obrigado pela colaboração que será sempre bem vinda.
          Quanto a sua pergunta, vou colocar um editorial sobre isto este fim de semana, ok?
          Fique com Deus

  5. gilmar gil says:

    olha adorei esse comentario sobre a luta livre, em especial osbre o joia, tive a oportunidade de conhecer essa figura. Fizemos dezenas de lutas pelo Brasil e até hoje tenho saudade dos velhos tempos (lutador, juiiz e apresentador de lutas – formigão)

  6. ANTONIO VIVALDO DA SILVA says:

    li todo o testo, e lembro quando era jovem, assistia as lutas de telechet, no canal 12, também gostaria que voltasse, att antonio.

  7. Dani Passos says:

    Olá sou acadêmica de Educação Física pela UFPR e estou realizando uma pesquisa sobre os primórdios do MMA em Curitiba e em entrevistas com grandes mestres da cidade ouvi versões sobre a relação do telecatch no que poderia ser um início. Estou tentando pesquisar mais sobre a história do telecatch na cidade e gostaria de saber se poder me ajudar? Gostei muito do texto e essas memórias são riquíssimas! abs

    • Marcos Martins says:

      Olá Dani
      Para contato com o José Domingos, sugiro que acesse o blog dele (www.josedomingos.com.br), pois somente republicamos aqui o seu texto.

  8. LauroRM says:

    Na minha casa não pedíamos o tele catch pela TV. Odiávamos o Jóia e o Metralha. Alguém sabe onde encontrar fotos de todos esses lutadores? Obrigado.

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